Perde-se a escuridão por entre dentes,
A camareira diz que chegamos e as minhas mãos estendem-se
Abrem-se cruzadas abraçando os ombros e tu olhas em frente.
Os meus lábios perdem-se onde há rasgos de manhã clara,
Onde há luz cinzenta e olhos de água.
Observas a pálida manhã e rasgas o céu.
Inventas cores e perfumes consumidos pelo ar
Forjas a marfim os passos marcados no chão
E silencias os guinchos dizimados pelas gotas de orvalho.
Resta um fúlgido e trémulo trilho em que o céu púrpura esmorece,
Se calca aos teus pés e descobre aos poucos a verdadeira cor da Lua.